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O fim anunciado da democracia

 Passados poucos anos do século XXI deparamo-nos com uma situação atípica: um pouco por todo o lado começam a abundar a contestação aos resultados eleitorais. Esta contestação tem consequências gravosas para a própria saúde da democracia, reflectindo-se quer nas questões estruturais, quer na própria vitalidade da democracia propriamente dita. Quando as constituições permitem que um partido que não venceu as eleições, como aconteceu em Portugal no ano de 2015, passe a governar mediante soluções anti-naturais como o caso da célebre geringonça, a definição de democracia está posta em causa. Uma coligação contra-natura, quase sempre não anunciada nas campanhas eleitorais, serve apenas para conseguir ou manter o poder a todo o custo. E como bem sabemos isso não é democracia, bem longe disso. Começam a ser recorrentes os fenómenos de recusa dos resultados eleitorais, seja com o argumento de fraudes, seja até pela recusa do reconhecimento dos órgãos executivos eleitos, cujo direito e cons...

É preciso desmontar as tretas xuxialistas

A nossa actual era caracteriza-se pela mentira e pelo engodo. Estas duas características só são possíveis onde exista falta de informação, ou melhor, onde existe sub-informação e pseudo-informação. Para quem se der ao trabalho, e não se estiver "a cagar", como a maior parte de povo português, as mentiras são facilmente desmontáveis. Não falta por aí também quem diga: «mas o que ganhas com isso?» e também: «não vale a pena, não podemos fazer nada!»... falso, falso, falso, é essa atitude que nos tem levado para onde estamos actualmente. Outra grande verdade, sistematicamente esquecida, é o facto de laborarmos no maior erro de todos ao pensar que vivemos em democracia. Erro este de dimensões astronómicas que nos tem custado milhares de milhões de euros (e escudos) ao longo de 46 anos. Se a democracia significa a perpetuação do roubo, do saque, da incúria, da involução (mascarada de evolução), do tachismo, da corrupção, do tráfico de influências, etc, etc, em troca de muit...

A democracia mal fundada tem as suas origens na Idade Moderna

[1453 - Queda de Constantinopla e início da Idade Moderna]. Segundo a historiografia anglo-saxónica, no campo económico, o início da Idade Moderna remonta apenas a meados do século XVII, cerca de 1650. O que acontece é que nem sempre os movimentos económicos acompanham os movimentos políticos, sociais e culturais. O sentido social da Idade Moderna foram os factores de mudança e do progresso [a Europa domina o mundo], o crescimento urbano, o fortalecimento da burguesia e das classes médias. Mas na verdade, os privilégios das classes altas não terminaram nem foram restringidos, as classes mais baixas continuaram sob domínio das classes mais abastadas. O crescimento demográfico apenas trouxe, num momento inicial, um incremento de pobreza e de desvalidos com o fim da Idade Feudal a revelar-se um desastre. Embora o feudalismo não terminasse efectivamente, a sua restrição só trouxe mais problemas e desigualdades do que inicialmente previsto. Se a democracia, ainda em estado latente, pen...

O islão, a democracia e as minorias

O resultado evidente da diferença de comportamento em relação às minorias é o facto de, ao longo do último meio milénio, as relações entre a Europa cristã e o mundo islâmico terem sido atravessadas por um fluxo contínuo de vítimas das perseguições, sobretudo religiosas mas também políticas; um fluxo constituído pelas marés de judeus e muçulmanos expulsos da Península Ibérica a partir de 1492, mas também por inúmeros riachos formados por aqueles que ao lado dos minaretes esperavam encontrar condições melhores do que as vigoravam sob os seus campanários. Esse fluxo só irá deter-se no século XIX, quando - na esteira da Revolução Francesa e da emancipação dos judeus - a Europa atinge finalmente o nível de tutela, jurídica dos «diferentes» que era garantido pelas normas islâmicas. E é então começará a decair no mundo islâmico, sob o impulso desagregador dos nacionalismos, uns atiçados pela Rússia, outros pelo império dos Habsburgos, outros ainda pela França.  Nos dias que...