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Revisionismos - a decadência moderna de Portugal

Há um movimento decisivo na história das nações europeias, 1789, a data charneira, que iria acelerar os processos de desmantelamento da civilização judaico-cristã. O Portugal da transição do século XVIII para o XIX ainda vivia à margem dos efeitos revolucionários franceses, com o país a fruir de vantagens e de estabilidades decorrentes da sua posição geográfica e de porta de entrada na Europa. A geografia, desde sempre, representou e representa um papel de primordial importância na história das nações. Portugal é um caso paradigmático da sua excelente posição geográfica dentro do contexto europeu e mundial. Até aos anos imediatamente antes das invasões napoleónicas, as relações com França eram boas, as alianças externas do reino estavam perfeitamente estabelecidas e consolidadas, para além dos domínios do ultramar se revelarem tranquilos com ausência de problemas de segurança nas vias marítimas. Mas tudo se começaria a alterar a partir de 1797, com o infame Tratado de Fontainebleu. Na ...

Regeneradores, históricos e o rotativismo

 Depois das guerras civis e da confusão que foram os governos na década de 1840 surge a regeneração de 1851 que veio colocar alguma ordem no país. Um movimento político-militar - os Regeneradores - chefiada pelo duque de Saldanha, levou à queda ditatorial de Costa Cabral regressado ao poder em 1849. Numa primeira fase o movimento foi liderado por Fontes Pereira de Melo, iniciando-se assim um período de relativa acalmia nas lutas político-partidárias, o que permitiu algum desenvolvimento económico. Os Regeneradores representavam o que hoje chamamos de direita política, mas outro partido político surgiu - os Históricos - fundado em 1852 por Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto, 2º marquês e 1º duque de Loulé, marido da Infanta D. Ana de Jesus Maria, chamado de «2º rei de Portugal». Esta formação política estava conotada com a esquerda. O pai de Nuno José, Agostinho José de Mendonça, foi legionário de Napoleão, oficial às ordens de Massena e Grão-Mestre da maçonaria em ...

Legitimismo, Maria da Fonte, emboscada e patuleias

 Os anos entre 1840 e 1848 foram anos de verdadeira loucura, poderíamos até dizer que foi uma época que atingiu foros de verdadeira demência colectiva . Perante os ataques descabelados a D. Miguel acusado de um sem fim de desgraças, o mesmo era rei de direito e não usurpador como já foi falado num post anterior, surgia assim o legitimismo, formação política que visou defender os direitos dinásticos de D. Miguel. Direitos esses que estavam a ser postos em causa e o banimento de D. Miguel e da sua descendência estava a ser congeminado nos bastidores. A Nação (1845) e depois A Gazeta (1895) foram os seus órgãos na imprensa. Dos seus princípios: « Deus, Pátria e Rei » foram arautos os fundadores do Integralismo Lusitano já no século XX. Depois de 1851, com a Regeneração, os legitimistas unem-se em verdadeiro êxodo para os regeneradores. Em Abril de 1846 deflagrou no termo de Vieira do Minho a Revolução da Maria da Fonte, mais uma, iniciada por um grupo de mulheres lideradas por uma ta...

Devorismo, setembrismo e chamorros

 Os «devoristas» foram o grupo político que se instalou no poder logo após a vitória liberal de 1834, com a vigência da Carta de 1826. A sua acção principal desenvolve-se entre 24 de setembro de 1834 e 9 de setembro de 1836. O termo «devorista» resulta de uma lei datada de 15 de abril de 1835, onde foram colocados à venda em hasta pública os bens nacionais, especialmente os detidos pela igreja católica, mosteiros, abadias e outros, facilitando assim a sua aquisição pelos chefes liberais. Depois de esses mesmos bens terem sido adquiridos pelas facções liberais, dando-se deste modo início à destruição do país, os sectores mais "progressistas" do liberalismo que se mantinham fieis ao «vintismo», representavam em termos actuais a «esquerda» da vida política da época que se concentrava sobretudo no Porto, não estavam contentes com a Carta de 1826. De tal modo que gerou-se um confronto entre o governo e a maioria «cartista», apoiada pelos deputados eleitos por Lisboa e pelo «caciqu...

O traidor D. Pedro IV e a Carta constitucional de 1826

 A primeira constituição portuguesa data de 1822, preparada em 1821 depois da revolução liberal de 1820. Teve dois períodos de vigência:  1º - de 23 de setembro de 1822 a 2 de junho de 1823 - Vilafrancada, golpe de D. Miguel - que provocou a sua queda. 2º - de 10 de setembro de 1836 a 4 de abril de 1838 - Setembrismo. Carta constitucional de 1826: Lei fundamental outorgada à nação portuguesa pelo traidor D. Pedro IV, em 29 de abril de 1826 no Brasil, ainda por cima (!!), 5 dias depois do traidor saber da notícia da morte do pai, D. João VI, em Portugal, muito provavelmente envenenado quando este último se preparava e se mostrava inclinado para entregar o trono a seu outro filho D. Miguel. A Carta foi trazida para Portugal por Lord Stuart a 2 de Julho de 1826, isto é, para além de traidor D. Pedro IV era um cobarde de primeira apanha, incapaz de encarar os portugueses de frente, o que não surpreende, tendo em conta que o mesmo já não era português de facto após declarar ilegalm...

A vilafrancada e a abrilada

A vilafrancada foi uma espécie de golpe de Estado ocorrido entre 23 de maio e 3 de junho de 1823, iniciado em Vila Franca de Xira, cujo objectivo primordial, ou um deles, seria o reconhecimento do direito de D. Miguel ao trono português, perante as atitudes dúbias e a falta de categoria de seu irmão, D. Pedro IV. Por outro lado e por arrasto, a vilafrancada encerrou definitivamente o 1º período do liberalismo conhecido como «Vintismo».  Um dos principais estrategas desta revolução foi o conde de Amarante que andou pelo Minho, Beiras e Trás-os-Montes, aliciando partidários para a causa miguelista e contra o poder discricionário de Lisboa, mancomonado com os sectores maçónicos que pretendiam a todo o custo evitar que o absolutismo voltasse a vigorar em Portugal. O que as hostes maçónicas receavam não era o absolutismo em si e já de si obsoleto, era antes um contra-ideal que visava colocar Portugal nos eixos e impedir o parlamentarismo, que tão nefasto foi e continua a ser ao país, co...

Malhados e corcundas

Os malhados, epíteto depreciativo utilizado pelos miguelistas para abordar ou falar sobre os liberais, em alusão directa à bandeira bicolor por eles utilizada e pelas calças axadrezadas que muitos liberais usavam. Corcundas, epíteto utilizado pelos liberais para falar dos absolutistas partidários de D. Miguel.   A história portuguesa está truncada, como é possível os livros oficias de história dizerem, e pior ainda, classificar D. Miguel de usurpador??? O usurpador foi o seu irmão, D. Pedro IV. Haja vergonha e decoro!! Como é que um acéfalo, dominado e minado pela maçonaria, que tinha manifestado publicamente a sua renúncia ao trono português e aos seus interesses em Portugal, proclama a independência do Brasil do dia para a noite, sem dizer "água vai"?? Que espécie de autoridade tinha esse acéfalo para fazer isso??? Mas o pior ainda viria de seguida, vendo que a sua situação no Brasil era posta em causa por sectores muito influentes da sociedade da época, tentou e acabou por...

O credo liberal-maçónico

Ao frondejar do altaneiro roble da liberdade são os chefes nomeados por « pastores do povo », antonomásia rudemente explícita que o povo era guiado como alarvia e conduzido como rebanho de carneiros. Seus apóstolos e guias, a alguns dos quais Garret mimoseou com o humilhante chamadoiro de « calças de coiro », enfarados do cheiro da plebe afastaram-se do povo para entrarem de ocupar os lugares dos privilegiados banidos, usurpando-lhes as posições, macaqueando a presença, ademanes e costumes aristocráticos, e aparentando o viver de elegância moral, distinção natural e atributos daqueles que nasciam à parte. Bem confirmavam o dito de António Sardinha que a mão leva cem anos a aristocratizar; e uma vez aristocratizada já não são precisos pergaminhos, mesmo repançados ou de nova indústria química, valorizam e afidalgam os de papel do Prado. Em contra-prova alguns homens deixaram públicas demonstrações de inteireza e coerência democráticas. Alexandre Herculano tomou como padrinhos d...

A democracia é uma batalha campal

«Ultrapassada a democratização, se se conduz o mundo às aspiração da socialização integral na visagem da igualdação e planificação social, parece que a encaminhá-lo para o homem da caverna, para quê gastar tempo em defesa de construção política com base em neo-monarquismo integral, sindicalista orgânico? Será esforço baldado tentar catequizar as massas quando somente as preocupam os reis do petróleo ou do aço, das tábuas de xadrez ou dos baralhos de cartas, as rainhas da beleza deste ou daquele continente, da city ou do boulevard, cá de um ou outro mercado de Lisboa ou Porto, e mais que os heroís, os pensadores, os sábios, artistas e homens de Estado, admiram as estrelas de cinema, os azes do futebol e as vedetas estradistas do velocípede. Aqui o objectivo em mira é muitíssimo mais modesto; está em convencer de real e palpável a classificação, já bem divulgada, que Fustel de Coulanges fez da história do seu país no século passado. O sociólogo e historiador francês entreviu a Histó...

A Europa deve apoiar Taiwan

As experiências passadas do século XX com os seus horrores brutalmente totalitários e depois das condenações, mais ou menos sinceras, do Processo de Nuremberga em 1946 passando pelo " affair " Khrouchtchev de 1956, possibilitam-nos compreender melhor o estabelecimento das ditaduras cibernéticas dos nossos dias.  Os que amaram Hitler e Estaline, amam em Xi Jinping o estalinismo assumido e reencarnado, assim como o neo-nacional-socialismo que o mesmo incarna.    Tsai Ing Wen, actual Presidente da República de Taiwan. No passado dia 18 de Maio o Wall Street Journal através de Robert Zoellick (antigo membro dos governos Bush) dava conta precisamente desta situação em que a China está prestes a «imperializar» toda a Ásia oriental e central, com todo o perigo que isso representa, não apenas para a região, mas também para os próprios EUA e Europa. "Os EUA não querem uma nova Guerra Fria" dizia Zoellick, mas o facto é que ela não resulta de vontades ma...

A mentira liberal

A partir de meados do século XVIII com a emergência da ciência moderna, o homem descobre a possibilidade de manipulação da matéria. Substitui assim o primado da contemplação desinteressada da natureza pelo primado da acção concreta sobre a natureza com fins utilitaristas. Segundo a expressão cartesiana, o homem torna-se « mestre e possuidor da natureza », herdeiro de um novo fogo "prometeano".   A liberdade passa a ser concebida em termos de potência e poder [de manipulação da matéria], preâmbulo da era das grandes invenções. Quando o eticismo humano se reduz à sua inexpressão, a liberdade destitui-se da sua capacidade de amar e de consentir ao bem. A possibilidade do mal passa a ser a condição do exercício da nossa liberdade e neste contexto materialista e ausência de impedimentos exteriores, a liberdade nada mais representa que um puro movimento de inércia humana. O Maio de 68 representou o culminar da antropologia hobes...