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A mostrar mensagens com a etiqueta liberdade

A quem serviu e serve o 25 de abril?

 Esta pergunta feita assim desta forma poderá indiciar a muitos leitores que foi e sou contra a data, ou melhor, contra a efeméride. Não é bem assim, nem essa é a minha intenção, mas também não lhe tenho grande amor nem lhe dou o valor que muitos querem fazer crer que tem, não significando isto que seja salazarista. Diz-se por aí que foi o dia em que os portugueses puderam passar a dispor de liberdade. Mas, ¿o que é a liberdade? É que são muito poucas as pessoas que dão uma resposta coerente e séria sobre o tema. Liberdade tem de ser muito mais do que poder fazer isto e aquilo, ir ali ou acolá, dizer o que nos der na real gana, opinar sobre os mais diversos temas e assuntos, etc, etc, etc A liberdade em si é tão antiga quanto a humanidade, existe desde sempre. O homem é livre quando pode dispor de si próprio. O livre-arbítrio humano compõe-se de liberdade. O próprio exercício do livre-arbítrio é um exercício de liberdade. Se o criador não quisesse fazer o homem livre não lhe teria ...

O atraso de Portugal começa com o crápula do marquês de Pombal

A historiografia portuguesa tem dificuldade em lidar com a verdade. Bem sei que a missão de qualquer historiador que se preze é divulgar a história tal como ela foi e não fazer juízos de valor ou julgamentos morais. Claro que este exercício nem sempre é fácil, abundam falsificações históricas e as fontes, por vezes, não são fidedignas. Cabe assim ao historiador "separar o trigo do joio", mas há momentos em que os julgamentos morais são necessários. Diria mais, são imperiosamente necessários em virtude da falsidade que circula por aí, por exemplo, sobre a figura sinistra do marquês de Pombal. Os falsos mitos sobre Pombal : Sobre o marquês, diga-se que ele estudou Direito em Coimbra mas não acabou a licenciatura. Está visto, era um cábula. Serviu no exército mas pouco tempo lá esteve - não era para ele - segundo o próprio. Foi para Londres, ainda no tempo de D. João V, como diplomata do Estado português durante sete anos e não aprendeu uma única palavra de inglês. O qu...

A linguagem e a ideologia são antagónicas

Para libertar a linguagem das falsidades associadas às ideologias exige-se uma investigação e uma correcção semântica permanente. A deturpação e a truncagem de termos e significados não é simples de reverter, exigindo uma depuração linguística que só se consegue com muito estudo e dedicação. A "velha atitude do deixa andar" não pode continuar, necessário se mostra desmontar os mitos e os entendimentos enviesados da realidade. Como dizia Eric Voegelin, a realidade efectiva e a realidade alternativa são descontínuas, porque o homem pode criar uma realidade alternativa e actuar sobre a mesma mas de modo algum pode fazer o mesmo com a realidade efectiva. Ora, o que acontece, a todo o instante, é que a realidade alternativa sobrepõe-se, ou pelo menos tenta sobrepor-se, à realidade efectiva o que origina distorções, enganos e mentiras. E a mentira, ao fim de algum tempo, torna-se verdade na mente dos que não pensam. É precisamente isto que se passa na cultura inte...

A democracia é uma batalha campal

«Ultrapassada a democratização, se se conduz o mundo às aspiração da socialização integral na visagem da igualdação e planificação social, parece que a encaminhá-lo para o homem da caverna, para quê gastar tempo em defesa de construção política com base em neo-monarquismo integral, sindicalista orgânico? Será esforço baldado tentar catequizar as massas quando somente as preocupam os reis do petróleo ou do aço, das tábuas de xadrez ou dos baralhos de cartas, as rainhas da beleza deste ou daquele continente, da city ou do boulevard, cá de um ou outro mercado de Lisboa ou Porto, e mais que os heroís, os pensadores, os sábios, artistas e homens de Estado, admiram as estrelas de cinema, os azes do futebol e as vedetas estradistas do velocípede. Aqui o objectivo em mira é muitíssimo mais modesto; está em convencer de real e palpável a classificação, já bem divulgada, que Fustel de Coulanges fez da história do seu país no século passado. O sociólogo e historiador francês entreviu a Histó...

A mentira liberal

A partir de meados do século XVIII com a emergência da ciência moderna, o homem descobre a possibilidade de manipulação da matéria. Substitui assim o primado da contemplação desinteressada da natureza pelo primado da acção concreta sobre a natureza com fins utilitaristas. Segundo a expressão cartesiana, o homem torna-se « mestre e possuidor da natureza », herdeiro de um novo fogo "prometeano".   A liberdade passa a ser concebida em termos de potência e poder [de manipulação da matéria], preâmbulo da era das grandes invenções. Quando o eticismo humano se reduz à sua inexpressão, a liberdade destitui-se da sua capacidade de amar e de consentir ao bem. A possibilidade do mal passa a ser a condição do exercício da nossa liberdade e neste contexto materialista e ausência de impedimentos exteriores, a liberdade nada mais representa que um puro movimento de inércia humana. O Maio de 68 representou o culminar da antropologia hobes...

Há liberdade contra a liberdade

O conceito de liberdade acompanha o homem desde os alvores da civilização. Todo o homem é livre quando pode dispor de si próprio sem qualquer espécie de condicionalismos, seja para o bem ou para o mal. A liberdade emana directamente do livre-arbítrio, e, tal como a etimologia da palavra o deixa bem expresso, o livre-arbítrio implica liberdade; liberdade de acção, liberdade de escolha, liberdade de movimentos, liberdade nos mais diversos parâmetros. A liberdade é tão antiga quanto a humanidade, e hoje, se chegou onde chegou, isso deve-se ao livre-arbítrio da humanidade. Em si ela é um factor ético, ou metafísico, necessário e útil ao homem. De forma nenhuma o conceito pode ser entendido como resultante da acção política ou económica, como hoje é usual pensar-se. Quem não tiver memória curta sabe que a história se repete, incessantemente, e sempre que a liberdade é entendida como uma extensão e consequência de qualquer acção política ou económica, a mesma perde o seu s...